Restrições dificultam acesso de empreendedores ao crédito
18/05/2020 - 14:39

Multas de trânsito não pagas, impostos atrasados, pendências com órgãos públicos estaduais, CPF ou CNPJ inscritos em dívida ativa da União (Previdência Social), ou ainda inadimplência e prejuízos antigos registrados no Banco Central (SCR) são alguns dos fatores que inviabilizaram pelo menos 3.260 pedidos de crédito feitos à Fomento Paraná no programa Paraná Recupera, que recebeu 28,5 mil solicitações desde 27 de março. A função da verificação documental é garantir que os recursos financeiros disponíveis sejam bem usados e possam retornar para apoiar outros empreendedores.

“Criamos condições diferenciadas de crédito para os pequenos negócios neste momento de dificuldade com a redução da atividade econômica, mas muitas empresas já estavam com pendências anteriores à pandemia”, analisa Everton Ribeiro, diretor de Operações do Setor Privado da Fomento Paraná. “Temos orientado o empreendedor a se regularizar e retomar a proposta, mas cada pedido negado por inconsistência na documentação e outras pendências, significa um tempo gasto, que atrasa a análise das propostas seguintes e provoca reclamações. Mas os recursos estão sendo liberados.”

De acordo com o diretor, até domingo, 17, a instituição já processou 7700 e liberou ou está em vias de liberar 4.400 contratos de financiamento recebidos pelo programa Paraná Recupera.

PARCERIAS — A Fomento Paraná não possui filiais, seguindo normas do Banco Central. Por esta razão, o modelo de oferta do crédito orientado é feito por meio de parcerias com as prefeituras, associações comerciais e outras entidades. Esse modelo é referência no Brasil, porque não pressiona os custos e assim permite a oferta de taxas de juros mais baixas, devido ao fato que a estrutura de distribuição do crédito nos municípios é fornecida pelos parceiros.

Nessa parceria, de acordo com os termos de cooperação, cabe às prefeituras a responsabilidade por divulgar o programa de crédito; disponibilizar infraestrutura (instalações físicas e equipamentos para atendimento presencial) e funcionários para atuar como agentes de crédito. O agente é responsável pelo atendimento ao empreendedor, para orientação, recepção e conferência de documentos e para cadastrar as propostas de crédito no sistema da Fomento Paraná, entre outras atividades.

O modelo de cooperação da Fomento Paraná está presente em mais de 220 municípios e possibilitou a concessão de mais de R$ 370 milhões para atender 35 mil contratos de microcrédito ao longo de 10 anos.

“Temos uma carteira ativa de mais de R$ 100 milhões apenas em recursos de microcrédito que estão em circulação na economia paranaense e ajudam a alavancar milhares de transações”, afirma Heraldo Neves, diretor-presidente da Fomento Paraná. “E o trabalho bem executado dos agentes de crédito é fundamental para o sucesso dessa modelagem”, completa.

CRÉDITO EMERGENCIAL — Trabalhando em casa desde meados de março, quando a prefeitura de Pinhais suspendeu atividades, por conta da prevenção ao coronavírus, o agente de crédito Aroldo Biss relata que tem trabalhado até 10 horas por dia no atendimento aos empreendedores.

“Os pedidos chegam o dia todo, por e-mail, por WhatsApp, por telefone. A prefeitura forneceu estrutura e equipamentos para eu trabalhar em casa e a gente vai dando conta”, afirma Biss. “Nosso município reconhece que hoje o melhor apoio que os pequenos empresários tem acesso é a Fomento Paraná. A gente explica e fala da responsabilidade com o recurso público e as pessoas tem sido compreensivas, porque estão vendo os projetos sendo aprovados e o dinheiro liberado, ainda que não seja na velocidade esperada.”

Em Florestópolis, no norte do Paraná, o agente de crédito Josemar Alves dos Santos dá suporte também aos municípios vizinhos de Prado Ferreira, Alvorada e Miraselva. Pela manhã ele faz atendimento presencial na Agência do Trabalhador e à tarde visita empreendedores. “Diversos projetos foram aprovados, mas trabalho de segunda a segunda para atender todo mundo, principalmente para ajudar quem tem mais dificuldade com a tecnologia. Nosso trabalho e da Fomento Paraná é reconhecido e muito bem visto na comunidade”, conta Santos.

Em Foz do Iguaçu, a Fomento Paraná é parceira estratégica do município de Foz do Iguaçu, há muitos anos, por meio do Banco do Empreendedor. E durante a pandemia do novo coronavírus a parceria foi reforçada com o programa Foz Juro Zero, uma ação voltada aos empreendedores autônomos, formais e informais, MEIs e micro empresários. “A prefeitura assume o pagamento de juros e a Fomento Paraná viabiliza as linhas de crédito, com um ano de carência e dois anos de prazo para pagar. É o maior programa de juro zero do Brasil nesses tempos de pandemia. Nossa gratidão à Fomento Paraná por essa parceria, que já está fazendo a diferença na vida de muita gente, afirma Gilmar Piolla, secretário de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos de Foz do Iguaçu.

Sérgio Marcucci, secretário de Indústria e Comércio de Marechal Cândido Rondon, no oeste do estado, destaca a importância da parceira. “A Fomento Paraná assumiu um papel muito importante nesse contexto da pandemia. Os valores liberados são muito importantes, tanto no aspecto social quanto na movimentação econômica no município”, afirma Marcucci, que mantém postos de atendimento com agente de crédito na agência do Trabalhador (SINE) e no Módulo Empresarial na Prefeitura. “Nós não paramos de atender. Seja de forma remota, seja com hora marcada, com todas as recomendações de proteção. E em nome de todos os comerciantes e da população do município agradeço esse trabalho da Fomento Paraná, sob a determinação do governador Ratinho Junior, que está atendendo a todo estado do Paraná.”

O secretário contabiliza mais de R$ 1,5 milhão em empréstimos já aprovados no município. “Se esse dinheiro girar três vezes no comércio local, teremos quase R$ 5 milhões girando no nosso comércio, o que para nós é uma grande satisfação”, comenta.

PARCERIAS INATIVAS — O diretor de Mercado da Fomento Paraná, Renato Maçaneiro, destaca o esforço para ampliar o número de parcerias da instituição. “Temos acordos de cooperação com prefeituras e entidades de 280 municípios. Isso significa que, por falta de parceiros, em outros 120 municípios paranaenses os pedidos dos empreendedores não estão sendo atendidos localmente”, explica. “Esses municípios sem agentes se somam a outros 80 nos quais, por alguma razão, a parceria e o agente de crédito não estão atuando neste momento. Isso criou um gargalo muito grande na estrutura da Fomento Paraná que atende Curitiba e região, que hoje concentra quase 5.000 pedidos de crédito para processar.”